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25 de out. de 2013
24-10-2013
na televisão a mãe reclama seis mil e quinhentos reais gastos na festa de aniversário da filha, que não aconteceu porque o tio da menina morreu baleado na edgar facó. vejo no youtube o lançamento do single do Criolo, que fala sobre a realidade porque canta o mundo que, mesmo ignorado pela maioria, é real. lembro das crianças da periferia que me recebiam nas aulas de dança e das nossas impossibilidades. penso em como era difícil dizer aos pais que os filhos deveriam tomar banho e pentear os cabelos nos dias de festa. sim, nos dias de festa, que são aqueles dias em que nos queremos melhores que o habitual. volto a prestar atenção na tv, onde agora um homem quer a segunda metade do dinheiro da venda de uma lancha que custou mais de cem mil reais. hoje acordei amarga e logo cedo compartilhei com uma amiga o meu amargor. normalmente sou esperançosa, mas a humanidade é um experimento mal executado no qual é cada vez mais difícil acreditar.
2 de set. de 2013
Ideário
Uma coreografia inspirada na performance que minha colega, atriz, fez com chocalhos, cordões e pedras, e também na experiência da bailarina que se equilibra em facas ao dançar sobre o piano de cauda. Sem sapatilhas, piano ou tutu, porque não preciso ser clássica ou delicada. Minha dança não foi domesticada, não sou sou frágil. A tarefa inicial é descobrir um modo de manejar as facas sem que elas provoquem acidentes graves; como dançar entre lâminas sem prejudicar a beleza do movimento, ainda que os ferimentos provoquem dor.
Como sobreviver à dança entre objetos sinistros?
Talvez seja a grande pergunta, a maior de toda a minha existência. Cuidar dos cortes mais ou menos profundos que atravessam a pele e proteger os órgãos vitais é o que tenho feito desde o primeiro plié.
Como sobreviver à dança entre objetos sinistros?
Talvez seja a grande pergunta, a maior de toda a minha existência. Cuidar dos cortes mais ou menos profundos que atravessam a pele e proteger os órgãos vitais é o que tenho feito desde o primeiro plié.
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