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28 de dez. de 2013

Narração Itinerante, um convite à leitura


A Biblioteca Municipal de Itapetininga oferece aos alunos da Rede Pública de Ensino o projeto "Narração Itinerante, um convite à leitura", que as escolas têm recebido como um abraço, e que pretende, a partir da contação de histórias e da mediação de leitura, fomentar o interesse pela literatura e pelos livros, aumentando o número de visitantes leitores e a procura pelos volumes que habitam a Biblioteca Municipal.
Os contadores de histórias são abridores de portas e janelas, desvendadores de mundos e apontadores de possibilidades infinitas. Aquele que conta histórias nos apresenta nossos próprios abismos e nos conduz em novas viagens a todos os céus. Somos protegidos pelos contos que ouvimos. Há um novo sol a cada contação das histórias (ou estórias, daquelas que, embora continuem vivas, são vistas com desconfiança pela gramática contemporânea), depois das quais ganhamos um mundo onde nada permanece inalterado. As palavras transformam árvores em poesia e a aridez do asfalto na paisagem de parte do trajeto daqueles que já não caminham sós. As pessoas reunidas em torno de uma história são capazes de observar a si mesmas nas palavras, sons e gestos do outro, de todos os outros. Como aqueles que se encontram para ouvir a sabedoria dos griots ou de outros contadores de suas tribos, os que ouvem as vozes dos livros sabem que, como afirmam profissionais da saúde da alma, as histórias que nos contam podem ser consideradas um bálsamo medicinal. 
É consenso que precisamos dessacralizar o objeto livro para torná-lo ainda mais atraente e para valorizar o hábito da leitura. Através da narração itinerante, que leva as histórias aos alunos, a Biblioteca Municipal oferece histórias como pequenos, mas grandiosos, gestos de afeto; para que o universo criado pelas palavras seja recebido com uma generosa porção de curiosidade, e para que as histórias, e também os livros, se multipliquem entre os alunos da Rede Pública de Ensino e façam parte do cotidiano de todos nós.



Publicado na edição Nº7 do Jornal Bem Estar - Itapetininga

24 de nov. de 2013

A nossa biblioteca


O escritor português Afonso Cruz escreveu, no divertido livro Os livros que devoraram meu pai, que "... um homem é feito de histórias, não é de DNA e músculos e ossos. De histórias.". Aqui no Brasil, há muito tempo, o muito lido e controverso Monteiro Lobato afirmou, depois de uma temporada nos Estados Unidos, que "Um país se faz com homens e livros".

Frequentadora assídua de bibliotecas públicas desde a infância, é com imensa alegria que percebo o renascimento da Biblioteca Municipal de Itapetininga, que vem à luz a partir de um novo coração, repleto de energia pulsante. Os olhos das crianças e jovens, atentos durante as contações de histórias, e o crescente movimento de empréstimo de livros e revistas atestam: há uma nova vida entre as paredes onde moram os livros que abraçam a imensa onda colorida que, transformada em balcão, atravessa o ambiente claro e quase sempre silencioso.

Na semana em que um jornal da capital paulista anunciava, em uma reportagem, o abandono de algumas bibliotecas paulistanas, nas quais quase não há movimento ou visitação do público, a Biblioteca Municipal de Itapetininga reuniu cerca de 220 pessoas durante uma tarde de contação de histórias. É a realidade da cultura da cidade que já foi conhecida como "Terra das Escolas" transformada para muito melhor.

As mães e pais que levam seus filhos à Biblioteca certamente não esquecerão dos momentos de afeto e intimidade partilhados entre histórias e livros. O resultado das vivências que acontecem através das histórias contadas ou lidas em um livro se reflete na educação e, principalmente, nas relações interpessoais, tão pouco valorizadas nos dias que correm. Imergir nos livros, partilhar histórias e compartilhar momentos de afeto é exercitar o gesto de ver o outro - um exercício que o ser humano corre o risco de esquecer, se não praticar. Os jovens e adultos que se dispõem a desbravar o lugar tido como inacessível, ou para frequência exclusiva de intelectuais e eruditos, descobrem que a Biblioteca Municipal é de todos nós.

O espaço físico é excelente, mas limita o alcance das muitas histórias que os livros contam. Porque as histórias são infinitas e os livros existem além das paredes e prateleiras, a Biblioteca Municipal passeia pela cidade em projetos de incentivo à leitura como “Biblioteca, um espaço de leitura”; “Bordando a nossa história”; “Hora do conto”;” Tardes de história”; “Narração Itinerante, um convite à pratica de leitura” e “Cine livro”, nos quais acontecem a contação de histórias e conversas sobre livros e literatura nas escolas e também a recepção de grupos escolares no pequeno espaço em um anexo aconchegante da Biblioteca Municipal.

Não é possível prever  a dimensão das transformações que acontecerão entre os cidadãos itapetininganos a partir da nova vida gerada com o aumento de visitas à biblioteca e a facilidade de acesso aos livros, mas podemos afirmar que estamos diante do princípio de grandes mudanças que beneficiarão a todos.

Se um país se faz com homens e livros e somos feitos das nossas histórias, a Biblioteca Municipal de Itapetininga tem nos dado uma das mais valiosas possibilidades para criarmos histórias mais bonitas e construirmos novas realidades a partir do que os livros, e a nossa relação com a Biblioteca, dizem sobre a história da cidade que é feita por nós.


A Biblioteca Municipal de Itapetininga, ou Biblioteca Dr. Júlio Prestes de Albuquerque , fica à Rua Campos Sales, número  175, e tem as portas abertas de segunda a sexta das 8 às 22 horas, e aos sábados das 9 às 12 horas.
Ela tem a fachada feita de colunas de cores que, postas  aos pares, foram dispostas como livros na estante. Você já foi até lá?



Publicado na edição Nº6 do Jornal Bem Estar - Itapetininga

30 de nov. de 2012

Novembro

Uma das grandes alegrias foi ver um textículo escrito por mim publicado na página 55 da revista Blimunda #6, celebrando os 90 anos do José Saramago.


A revista está disponível online, aqui.

11 de out. de 2012

13 de set. de 2012

Saramado

Adoraria escrever um discurso longuíssimo, mas há sensações que as palavras não dão conta de abrigar. Sobra afeto. Faltam braços.
Sinto como se deixasse um bilhete acanhado à porta daquele por quem nutro admiração.

Algumas palavras minhas na homenagem "90 anos, 90 palavras", no sítio da Fundação José Saramago, aqui.