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1 de out. de 2013
você pintou as paredes e chamou de adorno o vaso com flores de plástico. você instalou as cortinas e, para poupar minhas unhas recém-pintadas, limpou todos os cômodos da casa. você organizou meu caos e arrumou meus livros na estante. você tentou me ensinar física quântica enquanto aprendia a cozinhar. você me olhava enquanto eu dormia e me acordava com um sorriso. você não combinava com os lençóis da minha cama e não estava no ventre crescente. quando você foi embora já era tarde. você foi embora tarde demais.
28 de set. de 2013
Carpe Diem
Chegou apressado à rodoviária. Perdeu a passagem. Perdeu o primeiro dos dois ônibus daquele dia. Perdeu o ônibus das dez. Dia quente. Uma cerveja e um pão de queijo. Uma água de coco. Cinco horas de espera. A garota de vestido azul sentada à sua frente. O vestido azul e os olhos verdes. Os olhos verdes e cabelos negros encaracolados. Palavras tatuadas no tornozelo direito. Os sorrisos. A troca de olhares. Não queria ser devorado, por isso procurou o celular. Dez segundos. Um minuto, talvez. A garota já não estava.
Faltavam quinze minutos para a saída do segundo ônibus quando os televisores do saguão de espera mostraram o acidente. O ferro retorcido da cabine do ônibus daquela manhã. Pedras, um caminhão e um barranco. Vidros quebrados. Motorista morto. Silêncio. Nenhum passageiro havia sobrevivido. Close na sapatilha brilhante. "Carpe Diem". A barra do vestido azul.
Faltavam quinze minutos para a saída do segundo ônibus quando os televisores do saguão de espera mostraram o acidente. O ferro retorcido da cabine do ônibus daquela manhã. Pedras, um caminhão e um barranco. Vidros quebrados. Motorista morto. Silêncio. Nenhum passageiro havia sobrevivido. Close na sapatilha brilhante. "Carpe Diem". A barra do vestido azul.
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