A Erika tem filhas, marido e uma barraca na feira - nas feiras, porque muitas feiras acontecem durante a semana, em diversos bairros da cidade.
Eu e a Erika nos vemos às terças e quintas, que são os dias em que a feira acontece perto da casa verde em que vivo feliz.
A família da Erika me distingue da minha irmã pelo sorriso. Todos eles, que trabalham juntos na barraca, sabem que eu falo [de]mais. A Erika tem muitas bolsas bonitas e caras, que comprou quando morou no Japão.
As frutas da Erika são as mais bonitas e cheirosas, são diferentes. Ela vende as maiores e mais saborosas alcachofras do mundo, mas só sob encomenda. Minha avó conhece o papaya da Erika com o olhar.
Ontem foi sexta-feira e a Erika trouxe à minha casa as frutas que não comprei na quinta. Em uma das sacolas, um bilhete:
Coloquei o inhame para você aproveitar e o pêssego e a manguinha é para você experimentar. Cortesia da casa.
Beijo
Erika
Obrigada
Deus abençoe
A Erika é morena e briga comigo, aos berros, quando vou à feira muito tarde ou quando desapareço. Ela tem longos cabelos negros e recentemente começou a usar esmaltes alegremente coloridos. Toma café às 8 e come pastéis da esquina ou pães da padaria que frequentei durante a infância. A Erika tem olhos doces e o sorriso largo. A Erika tem amor - e minha eterna admiração.
Quase acredito em um deus nas raras vezes em que a menção do pequeno nome acompanha a grandiosidade de um gesto.
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26 de nov. de 2011
18 de jun. de 2010
Primeira Impressão
Escrito por mim e publicado no meu antigo blog, Rango na Madrugada, em 29 de novembro de 2005, logo depois do primeiro contato com um dos livros daquele com quem descobri um novo amar.
VÍRGULA
Ele fala vírgula Ela responde vírgula Surge então um pensamento dele vírgula O narrador interrompe vírgula ambos dão início à ação vírgula Ele fala novamente vírgula Ela pensa em falar, mas não fala vírgula O narrador conclui a frase ponto final
Assim, em meio às vírgulas que separam diálogos, idéias, pensamentos e atos, me vejo imersa pela primeira vez no universo de Saramago. A Língua Portuguesa de Portugal é encantadora, a narrativa é genial, mas a ousadia das vírgulas me encantou. Elas imprimem ritmo ao texto, aguçam minha curiosidade, tornam a leitura instigante e a viagem ainda mais prazerosa.
A vírgula, encantador elemento sintático que poucos sabem usar e muitos acreditam ser uma simples indicação de pausa, pode mudar o sentido de uma frase, de uma oração, de toda uma narrativa. Por muitos é usada com parcimônia, mas baila com inteligência e sabedoria pelo livro Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago.
A vírgula enfatiza, prepara, ameniza, separa. E talvez agora exprima a distância que existe entre mim e você, que está a ler este breve devaneio; apenas uma vírgula.
Entre tantos outros marcos, parte significativa da minha vida pode ser dividida em antes e depois dele.
Obrigada, José Saramago.
VÍRGULA
Ele fala vírgula Ela responde vírgula Surge então um pensamento dele vírgula O narrador interrompe vírgula ambos dão início à ação vírgula Ele fala novamente vírgula Ela pensa em falar, mas não fala vírgula O narrador conclui a frase ponto final
Assim, em meio às vírgulas que separam diálogos, idéias, pensamentos e atos, me vejo imersa pela primeira vez no universo de Saramago. A Língua Portuguesa de Portugal é encantadora, a narrativa é genial, mas a ousadia das vírgulas me encantou. Elas imprimem ritmo ao texto, aguçam minha curiosidade, tornam a leitura instigante e a viagem ainda mais prazerosa.
A vírgula, encantador elemento sintático que poucos sabem usar e muitos acreditam ser uma simples indicação de pausa, pode mudar o sentido de uma frase, de uma oração, de toda uma narrativa. Por muitos é usada com parcimônia, mas baila com inteligência e sabedoria pelo livro Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago.
A vírgula enfatiza, prepara, ameniza, separa. E talvez agora exprima a distância que existe entre mim e você, que está a ler este breve devaneio; apenas uma vírgula.
Entre tantos outros marcos, parte significativa da minha vida pode ser dividida em antes e depois dele.
Obrigada, José Saramago.
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