18 de jul. de 2011

seja leve
brasa
brisa breve

releve
renove

revele-se

Admiração

Das muitas atitudes humanamente imperfeitas, poucas são mais belas que a sinceridade. Bendito seja o sim absoluto e inquestionável, acompanhado pela troca de olhares e pela proximidade dos lábios que não admitem o detestável sabor do talvez. Louvado seja o não, ainda que passageiro, dito com alguma graça e toda a leveza possível, explorando o toque suave da brevidade da negativa.
Que, apesar das discrepâncias e acima dos pré-conceitos, aconteçam os encontros. Que possamos ser melhores aos nossos olhos para não sofrer ao contemplar o espelho revelado a partir do olhar alheio. Que a capacidade de acolher sobreponha a urgência dos julgamentos quase sempre equivocados.
Para que possamos ser maiores a ponto de nos virmos infinitamente pequenos quando descobrirmos que somos todos um só; que, através de nós, revele-se e reverbere do outro tudo aquilo que é digno de admiração.

6 de jul. de 2011

Biografia do Saramado, mais uma. Sagarana, do Guimarães Rosa; haverá um dia lindo e faremos amor quando meus neologismos finalmente encontrarem os seus. O Mal de Montano, Enrique Vila-Matas, que é sempre bom de ler; dizem que escreve para escritores, mas sinto que escreve para mim. Contos dos Irmãos Grimm, da Clarissa Pinkola Estés, sempre presente na cabeceira e na vida - a autora, não esse livro, que ainda não li, mas vi que tem um dos mais belos projetos gráficos e ilustrações. Aprendendo a Viver, da Clarice, que só quando comecei a ler descobri que é a republicação das melhores crônicas publicadas em A Descoberta do Mundo, que ganhei do meu pai, com dedicatória e tudo, e já li há séculos. Deve haver algum motivo para que os textos tenham voltado para mim. Descobrirei. Contra um Mundo Melhor, Luiz Felipe Pondé; conheci o autor em um café filosófico e gostei do título. A arte do livro é belíssima também. E, finalmente, a Viagem a Portugal; por ora, no livro do Saramago, que lerei aos poucos, com medo de acabar. Algumas das palavras que penetram na carne terminam na pele.
Férias escolares, primeiro dia.

31 de mar. de 2011

Reincidente

Aconteceu mais uma vez.

Um dos meus contos está na edição atual da revista que, apesar dele, continua ótima e pode ser lida AQUI.

28 de mar. de 2011

Idealismo

Eu só queria outra pele estendida, menos saturada, não tão marcada quanto esta que, enquanto sonha, sangra. Uma nova face ao observar o espelho, novos olhos. Queria a inexplicável novidade imaculada, que sobrevive ao tempo porque ainda não foi amada, que respira liberta como quem nunca amou.


..


Sem pátria ou pares (des?)espero: a infinitude das pequenezas desbravadas prepara-se para o reencontro: o eterno retorno à imensidão do desconhecer.

27 de fev. de 2011

Biofagia

Tenho sono, sede e fome. Experimento sensações a partir de realidades e sonhos. Devorando tudo o que é vida, ocupo-me a ponto de não mais regurgitar.
Em vão, não.

19 de dez. de 2010

Dois homens, aparentando trinta e poucos, mais ou menos:


- Cê parece que anda engordando, índio véio...

- É...

- Tá engordando mesmo?

- Sabe comé, né... o pasto lá é bão...






É por isso que amo a feira livre aos domingos, embora ame-a às quintas-feiras, também.

23 de nov. de 2010

Somadas e multiplicadas através das reflexões, as idéias, com acento e nem sempre saudáveis, permanecem incessantes. Durante a silenciosamente perigosa dança da imaginação, penso em prazeres que não deveriam existir para que eu pudesse sabê-los objetos inúteis e por isso imunes à absurdez das paranóias particulares.


































Banhos muito quentes, por exemplo.

11 de out. de 2010

Pausa

O movimento circular, ainda que aparentemente inútil, não deixa de ser movimento. Ação e reação; antídoto para quem teme o retorno à paralisia.
Às vezes é como a continuação de um péssimo filme nada tedioso.
Aprendi hoje, com meu jardim: a vigilância não basta; para ter controle sobre o que é nocivo ou inútil onde ainda há raízes, preciso podar.

15 de set. de 2010

no inesperado gesto
abriu-se o inverso
da caixa de pandora

sob o silêncio
iluminasceu

18 de jun. de 2010

Primeira Impressão

Escrito por mim e publicado no meu antigo blog, Rango na Madrugada, em 29 de novembro de 2005, logo depois do primeiro contato com um dos livros daquele com quem descobri um novo amar.



VÍRGULA

Ele fala vírgula Ela responde vírgula Surge então um pensamento dele vírgula O narrador interrompe vírgula ambos dão início à ação vírgula Ele fala novamente vírgula Ela pensa em falar, mas não fala vírgula O narrador conclui a frase ponto final

Assim, em meio às vírgulas que separam diálogos, idéias, pensamentos e atos, me vejo imersa pela primeira vez no universo de Saramago. A Língua Portuguesa de Portugal é encantadora, a narrativa é genial, mas a ousadia das vírgulas me encantou. Elas imprimem ritmo ao texto, aguçam minha curiosidade, tornam a leitura instigante e a viagem ainda mais prazerosa.
A vírgula, encantador elemento sintático que poucos sabem usar e muitos acreditam ser uma simples indicação de pausa, pode mudar o sentido de uma frase, de uma oração, de toda uma narrativa. Por muitos é usada com parcimônia, mas baila com inteligência e sabedoria pelo livro Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago.
A vírgula enfatiza, prepara, ameniza, separa. E talvez agora exprima a distância que existe entre mim e você, que está a ler este breve devaneio; apenas uma vírgula.




Entre tantos outros marcos, parte significativa da minha vida pode ser dividida em antes e depois dele.
Obrigada, José Saramago.

26 de mai. de 2010

Palavra de livro (sublinhamento)

Segue o teu destino,
Rega a tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos Deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.



Ricardo Reis, 1-7-1916

16 de mai. de 2010

Escrevi um conto para a Revista Cultural Novitas e eles cometeram a insanidade de publicar.
Apesar disso, a revista é muito boa e pode ser lida aqui.