10 de abr. de 2012
Amanhã
Somam-se à pilha de livros ainda não lidos, a de filmes não vistos e a de textos imaginados ou rascunhados, ainda por escrever. As descrições impossíveis e os quase-amores risíveis. A busca pela voz não encontrada e o indesejável eco que, ao resplandecer, [re]dimensiona o vazio que multiplica-se desordenadamente e não tem fim.
Há ainda os abraços não dados e olhos que, enxergando, tornaram-se, por força do tempo e fraqueza poética, incapazes de ver. Misturados às receitas não testadas, as idéias acentuadas e os afagos em desuso. Os braços inúteis no corpo inerte. A maciez da pele abandonada que envolve também as artérias em que circulam os desejos.
Novos modos, velhos medos. Alheia aos temores, abundâncias e períodos escassos: a vida.
Uma saborosa sucessão de clichês.
2 de abr. de 2012
Casa nova!
Ainda organizando os objetos e arrastando-os por todos os cantos, até que a decoração fique ainda mais parecida comigo.
Minha gratidão a arquiteta Fabiana Borges, pela generosidade e pela paciência.
Uma semana de dias luminosos para todos nós!
26 de mar. de 2012
Primeiro Amor - Beckett e a primeira vez
O projeto gráfico do livro, apesar de aparentemente simples, é dos mais bonitos que conheço - faz lembrar dos livros-arte que os aficcionados desejam ter em suas estantes. Some-se à beleza do objeto (o livro) o nome de peso do autor, Samuel Beckett, e o resultado pode parecer grandioso o suficiente para inibir o leitor que ainda não conhece a obra do escritor dublinense que foi um dos fundadores do teatro do absurdo e amigo de James Joyce.O título, Primeiro Amor, empresta doçura a toda a imponência e convida o leitor a um passeio pelas páginas costuradas em que as palavras, à excessão do início da frase de abertura, posicionam-se sempre à esquerda de quem lê.
Em um texto quase sempre irônico, sarcástico e deliciosamente bem escrito, permeado por sentimentos humanos - legítimos, embora nem sempre socialmente aceitáveis- , Beckett conta uma história de amor que acontece através do silêncio - ou apesar dele.
Primeiro Amor não é um livro de respostas, mas deixa o leitor - que devora suas poucas páginas em minutos - repleto de perguntas sobre as personagens que não são definidas como vítimas ou herois de uma sucessão de encontros marcados pelo incômodo e também pela inevitável dureza da sinceridade. É o retrato da reverberação de um desconforto transformada em beleza literária - aquele tipo de beleza que os grandes autores são capazes de conceber.
Primeiro Amor; Samuel Beckett - 32 páginas - Cosac Naify
Viver não é preciso
Um dos grandes assombramentos da vida é a constante exposição às intempéries. Viver não é preciso. Estar sujeita a tempestades é um prazer assustador.
É certo que os ventos dissipam os males, mas também deixam um rastro de desordem em tudo aquilo - e entre todos aqueles - que, com o passar dos anos e o aflorar da utilidade, tornou-se essencial.
Ao pobre hábito de sobreviver ao sabor das marés, em uma embarcação silenciosa cada vez mais reduzida, denominou-se amadurecimento.
Os outros, portadores do inferno ambulante que, no passado, lançava-se como luz e tormenta, já não são sequer levados em consideração.
Somos poucos e únicos. Reduzimo-nos a efemeridades.
Somos nenhuns.
É certo que os ventos dissipam os males, mas também deixam um rastro de desordem em tudo aquilo - e entre todos aqueles - que, com o passar dos anos e o aflorar da utilidade, tornou-se essencial.
Ao pobre hábito de sobreviver ao sabor das marés, em uma embarcação silenciosa cada vez mais reduzida, denominou-se amadurecimento.
Os outros, portadores do inferno ambulante que, no passado, lançava-se como luz e tormenta, já não são sequer levados em consideração.
Somos poucos e únicos. Reduzimo-nos a efemeridades.
Somos nenhuns.
16 de mar. de 2012
12 de mar. de 2012
Vazante
Estou habituada a enviar cartas de papel, mas também envio cartas virtuais. Em uma delas escrevi:
"Há uma grande diferença entre o modo como as pessoas precisam se sentir amadas e a maneira que escolhemos para demonstrar amor. Para encontrar a sincronia precisamos de tempo e sensibilidade, mas nem todo mundo está disposto a isso."
...
"Eu queria muito que o Bauman estivesse errado e que tivesse escrito todos os livros sobre afetos e relações líquidas à toa, mas sei que essa ausência de laços afetivos sólidos (inclusive nas famílias) é uma marca do nosso tempo."
...
"É bem verdade que somos todos sozinhos. Só nós sabemos sobre absolutamente tudo que vivenciamos e somos a única companhia certa pra nós mesmos até o último dos nossos dias. Parece cruel ou negativo, mas é assim."
A carta foi recebida no dia 12 de dezembro e, ainda que fizesse parte de uma troca relativamente recente, mas constante, não foi respondida.
Bauman venceu.
"Há uma grande diferença entre o modo como as pessoas precisam se sentir amadas e a maneira que escolhemos para demonstrar amor. Para encontrar a sincronia precisamos de tempo e sensibilidade, mas nem todo mundo está disposto a isso."
...
"Eu queria muito que o Bauman estivesse errado e que tivesse escrito todos os livros sobre afetos e relações líquidas à toa, mas sei que essa ausência de laços afetivos sólidos (inclusive nas famílias) é uma marca do nosso tempo."
...
"É bem verdade que somos todos sozinhos. Só nós sabemos sobre absolutamente tudo que vivenciamos e somos a única companhia certa pra nós mesmos até o último dos nossos dias. Parece cruel ou negativo, mas é assim."
A carta foi recebida no dia 12 de dezembro e, ainda que fizesse parte de uma troca relativamente recente, mas constante, não foi respondida.
Bauman venceu.
11 de mar. de 2012
Biblioteca: declarações de amor
Assim Falou Zaratustra
Faz mais de dez anos que encontrei Nietzsche pela primeira vez, a partir de Zaratustra. Entre a primeira leitura, de uma edição publicada por uma editora reconhecida pelas péssimas traduções, e o presente reencontro (através da minha amada Cia. das Letras), há uma infinidade de transformações.
Se durante a primeira leitura mal comprrendi a caminhada que faz de Zaratustra o Zaratustra, a releitura serviu para, além de compreender a história, reafirmar o que percebi na primeira leitura, praticamente toda limitada a excertos citáveis, capazes de estimular a reflexão.
Nietzsche me ensinou a pensar a dança. Através de Zaratustra, já na primeira leitura, passei a perceber a dança não só como prática diária e profissão, mas também como metáfora para absolutamente todos os acontecimentos vividos. Viver é dançar. Existir é movimentar-se e dedicar dias e noites ao deus bailarino.
Deus está morto. Eu danço.
Assim Falou Zaratustra; Friedrich Nietzsche - 360 páginas - Companhia das Letras
Saramago - Biografia
Antes de começar a ler o Saramago visitado por João Marques Lopes li uma crítica - negativa - ao livro, em um site dedicado a resenhas. Confesso que isso me desanimou no passeio pelas primeiras páginas que, como dizia a crítica, pareciam enfadonhas.
Fiquei feliz em constatar que o escritor da resenha - como eu, no princípio - estava incrivelmente equivocado em relação ao livro.
Aos poucos a leitura se torna prazerosa, repleta de histórias e impregnada pela História acontecida durante o período em que Saramago viveu. É como se a cronobiografia dedicada ao autor (José Saramago: a consistência dos sonhos, escrita por Frenando Goméz Aguilera), que foi uma das muitas fontes de pesquisa do João Marques Lopes, tivesse sido amplificada através das palavras.
Em Saramago estão, além das história de vida do grande autor, suas inspirações e aspirações, com destaque para os períodos de concepção dos livros que viríamos a amar.
É certo que muitas outras biografias e estudos virão, mas Saramago: Biografia cumpre, com louvor e beleza, seu papel.
Saramago - Biografia; João Marques Lopes - 248 páginas - Leya
Memórias inventadas para crianças
Ganhei o livro pouco depois de ter visto o belíssimo documentário Só dez por cento é mentira, dedicado a Manoel de Barros. Foi como se Memórias Inventadas Para Crianças tivesse sido escrito com a intenção de transpor para as páginas toda a poesia transbordante que permeia o filme, e a vida, do autor.
Memórias inventadas para crianças, como outros livros do Manoel de Barros, tem ilustrações feitas por Martha Barros, sua filha. É um livro-vida. Um livro-família. Um livro-abraço. Um delicioso passeio em prosa em companhia do menino que tem olhar-poeta.
Minha avó também leu. Como eu, terminou apaixonada.
Memórias inventadas para crianças; Manoel de Barros - 24 páginas - Planeta Jovem
Raiz de Orvalho e outros poemas
Mia Couto diz ter hesitado até aceitar a republicação do livro Raiz de Orvalho e outros poemas, argumentando que já não se vê em parte daquilo que nele está escrito.
Embora pareça diferente dos outros livros de poemas do autor, Raiz de Orvalho está impregnado por imagens e metáforas que Mia Couto evoca ao escrever em prosa.
Tenho a impressão de que, independente da forma em que seja moldada a escrita, o mundo observado por Mia Couto será todo e sempre poesia.
Amém.
Raiz de Orvalho e outros poemas; Mia Couto - 234 páginas - Caminho
Memorial do Convento
Apesar de ser um dos livros mais famosos do José Saramago, Memorial do Convento está entre os últimos lidos por mim.
No livro que conta a história de Baltazar e Blimunda estão também um pouco da história das relações humanas, das instituições e práticas religiosas e também de monumentos e acontecimentos históricos de Portugal.
Baltazar, que tem a força que muitas vezes nos falta, é persistente, idealista, quase ingênuo, mas também amante apaixonado e companheiro de Blimunda, mulher fiel e inteligente, sensível, poderosa e quase inacreditavelmente forte.
Memorial do Convento é um pouco da história de cada um de nós. Dos ideais humanos e absurdos da humanidade. Do mundo abundante em guerras silenciosas. Da civilização individualista e pouco inteligente que, em busca de falsas grandiosidades, insiste em ruir.
Memorial do Convento; José Saramago - 352 páginas - Bertrand Brasil
Faz mais de dez anos que encontrei Nietzsche pela primeira vez, a partir de Zaratustra. Entre a primeira leitura, de uma edição publicada por uma editora reconhecida pelas péssimas traduções, e o presente reencontro (através da minha amada Cia. das Letras), há uma infinidade de transformações.Se durante a primeira leitura mal comprrendi a caminhada que faz de Zaratustra o Zaratustra, a releitura serviu para, além de compreender a história, reafirmar o que percebi na primeira leitura, praticamente toda limitada a excertos citáveis, capazes de estimular a reflexão.
Nietzsche me ensinou a pensar a dança. Através de Zaratustra, já na primeira leitura, passei a perceber a dança não só como prática diária e profissão, mas também como metáfora para absolutamente todos os acontecimentos vividos. Viver é dançar. Existir é movimentar-se e dedicar dias e noites ao deus bailarino.
Deus está morto. Eu danço.
Assim Falou Zaratustra; Friedrich Nietzsche - 360 páginas - Companhia das Letras
Saramago - Biografia
Antes de começar a ler o Saramago visitado por João Marques Lopes li uma crítica - negativa - ao livro, em um site dedicado a resenhas. Confesso que isso me desanimou no passeio pelas primeiras páginas que, como dizia a crítica, pareciam enfadonhas. Fiquei feliz em constatar que o escritor da resenha - como eu, no princípio - estava incrivelmente equivocado em relação ao livro.
Aos poucos a leitura se torna prazerosa, repleta de histórias e impregnada pela História acontecida durante o período em que Saramago viveu. É como se a cronobiografia dedicada ao autor (José Saramago: a consistência dos sonhos, escrita por Frenando Goméz Aguilera), que foi uma das muitas fontes de pesquisa do João Marques Lopes, tivesse sido amplificada através das palavras.
Em Saramago estão, além das história de vida do grande autor, suas inspirações e aspirações, com destaque para os períodos de concepção dos livros que viríamos a amar.
É certo que muitas outras biografias e estudos virão, mas Saramago: Biografia cumpre, com louvor e beleza, seu papel.
Saramago - Biografia; João Marques Lopes - 248 páginas - Leya
Memórias inventadas para crianças
Ganhei o livro pouco depois de ter visto o belíssimo documentário Só dez por cento é mentira, dedicado a Manoel de Barros. Foi como se Memórias Inventadas Para Crianças tivesse sido escrito com a intenção de transpor para as páginas toda a poesia transbordante que permeia o filme, e a vida, do autor.Memórias inventadas para crianças, como outros livros do Manoel de Barros, tem ilustrações feitas por Martha Barros, sua filha. É um livro-vida. Um livro-família. Um livro-abraço. Um delicioso passeio em prosa em companhia do menino que tem olhar-poeta.
Minha avó também leu. Como eu, terminou apaixonada.
Memórias inventadas para crianças; Manoel de Barros - 24 páginas - Planeta Jovem
Raiz de Orvalho e outros poemas
Mia Couto diz ter hesitado até aceitar a republicação do livro Raiz de Orvalho e outros poemas, argumentando que já não se vê em parte daquilo que nele está escrito.Embora pareça diferente dos outros livros de poemas do autor, Raiz de Orvalho está impregnado por imagens e metáforas que Mia Couto evoca ao escrever em prosa.
Tenho a impressão de que, independente da forma em que seja moldada a escrita, o mundo observado por Mia Couto será todo e sempre poesia.
Amém.
Raiz de Orvalho e outros poemas; Mia Couto - 234 páginas - Caminho
Memorial do Convento
Apesar de ser um dos livros mais famosos do José Saramago, Memorial do Convento está entre os últimos lidos por mim.No livro que conta a história de Baltazar e Blimunda estão também um pouco da história das relações humanas, das instituições e práticas religiosas e também de monumentos e acontecimentos históricos de Portugal.
Baltazar, que tem a força que muitas vezes nos falta, é persistente, idealista, quase ingênuo, mas também amante apaixonado e companheiro de Blimunda, mulher fiel e inteligente, sensível, poderosa e quase inacreditavelmente forte.
Memorial do Convento é um pouco da história de cada um de nós. Dos ideais humanos e absurdos da humanidade. Do mundo abundante em guerras silenciosas. Da civilização individualista e pouco inteligente que, em busca de falsas grandiosidades, insiste em ruir.
Memorial do Convento; José Saramago - 352 páginas - Bertrand Brasil
2 de mar. de 2012
Marcadores
"O essencial da arte é exprimir; o que se exprime não interessa."
Fernando Pessoa
"O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio."
Marchado de Assis
Recordações do templo dos livros, ou da hospedaria provisória, que é ponto de passagem e praça de encontro dos amores.
Fernando Pessoa
"O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio."
Marchado de Assis
Recordações do templo dos livros, ou da hospedaria provisória, que é ponto de passagem e praça de encontro dos amores.
14 de fev. de 2012
11 de fev. de 2012
Sobre: viver
Constrói a exatidão do movimento com a delicadeza do gesto. Iluminasce a partir dos ossos até que, através dos músculos, seja tornado alma, âmago, ânima... ar.
Dançar é sentir o solo sob os pés e afastar-se dele a partir dos joelhos.
Existir é impulso. Ser é possuir no corpo toda música percebida pelas pontas dos dedos das mãos.
Tateia os dias como o desabrochar das orquídeas que lentamente devolvem ao mundo a infinita beleza das cores.
Enxerga e aceita a imprecisão do tempo:
a isso denomina [sobre]viver.
Dançar é sentir o solo sob os pés e afastar-se dele a partir dos joelhos.
Existir é impulso. Ser é possuir no corpo toda música percebida pelas pontas dos dedos das mãos.
Tateia os dias como o desabrochar das orquídeas que lentamente devolvem ao mundo a infinita beleza das cores.
Enxerga e aceita a imprecisão do tempo:
a isso denomina [sobre]viver.
7 de fev. de 2012
(eco)ar
Não elevar a voz, ainda que para satisfazer o apetite insaciável do ego cada vez mais gordo. Permanecer monocórdio, a despeito de toda e qualquer alegria festejável. Não há felicidade que resista à vigilância invejosa, carente de desilusão e desespero.
O prazer, feito de pele e delicadeza, é um sussurrar vagamente luminoso, imerso nas delícias da solidão.
O prazer, feito de pele e delicadeza, é um sussurrar vagamente luminoso, imerso nas delícias da solidão.
5 de fev. de 2012
Biblioteca: O Som e a Fúria
Demorei muitos meses para me convencer de que precisava ler Faulkner pela primeira vez, e alguns outros meses para decidir tirá-lo da estante. O primeiro incentivo veio do fato de o José Luis Peixoto, um dos meus autores favoritos, ser declaradamente fã da literatura do Faulkner (e o Peixoto é daqueles que, como eu, marca na pele as declarações de amor).
Pouco tempo depois, encontrei a edição maravilhosa da Cosac Naify, editora que tem meu amor eterno, - e nem me paga para escrever isso - pela metade do preço. Foi assim que o livro chegou até mim.
O Som e a Fúria foi um caso raro de paixão despertada mais por admiração que por identificação ou pertencimento.
Gosto do fato de o livro ter sido escrito durante um período de reclusão, após um fracasso do autor, e me interesso pela temática abordada. As infelicidades familiares, na literatura, me atraem; e as manifestações do racismo, hoje velado como se fosse moralmente inaceitável, são tão chocantes nos livros quanto na padaria ou na fila do banco.
As primeiras páginas não foram fáceis. A primeira parte do livro é constituída por diálogos que muitas vezes parecem ininteligíveis. A leitura das páginas narradas por Benjy, que sofre deficiência mental, foi de uma diculdade angustiante.
Superado o obstáculo, que posteriormente justifica-se necessário e desejado, agradeci, a cada virada de página, pela oportunidade de ter em mãos parte da obra um autor que - a despeito dos prêmios ou títulos que, muitas vezes, podem parecer assustadores - foi genial.
Ler O Som e a Fúria é, além de desfrute, uma aula. São muitos livros em um só. Muitos modos de escrever e de descrever. Um delicioso passeio por diferentes estilos e pontos de vista.
As estórias das personagens de O Som e a Fúria são tão tristes quanto a maior parte das relações humanas, se observadas com atenção. Sob o olhar de William Faulkner, a tristeza, neste livro, tornou-se bela.
Me apaixonei pelo autor, por isso quero (ler) mais.
O Som e a Fúria; William Faulkner - 336 páginas - Cosac Naify
4 de fev. de 2012
Acontece que ela pensa demais antes de fazer e, porque não faz, é como se não existisse.
A palavra certa e a expressão bendita. A postura, os gestos e a impostação da voz. O salto, o cabelo, o batom, o vestido e o resto.
O resto.
Esquece que a realidade desconhece a perfeição - e por isso é bela.
Acontece que ela existe; ainda que execute com alguma graça a inútil e dolorosa arte de desviver.
A palavra certa e a expressão bendita. A postura, os gestos e a impostação da voz. O salto, o cabelo, o batom, o vestido e o resto.
O resto.
Esquece que a realidade desconhece a perfeição - e por isso é bela.
Acontece que ela existe; ainda que execute com alguma graça a inútil e dolorosa arte de desviver.
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