1 de fev de 2013

Elvira Vigna

Sou fiel a todos os meus escritores favoritos, mas gosto de, quando estou distraída, ser encontrada por novos autores. Em uma revista, na matéria intitulada Falsas Verdades, Elvira Vigna me encontrou.
Descobri quase simultaneamente a escrita de uma autora apaixonante e uma pessoa adorável. Elvira Vigna alimenta um site e pode ser facilmente contactada através das redes sociais. Ainda assim, a autora, que transborda talento nos textos repletos de frases curtas escritas em linguagem coloquial, parece comedida no uso da internet. Admiro-a ainda mais porque encontrou para si um lugar muito bonito entre o mito da escritora reclusa e as escritoras contemporâneas ávidas por [qualquer tipo de] exposição.


ÀS SEIS EM PONTO

Às Seis em Ponto foi o meu primeiro e muito feliz encontro com a literatura produzida por Elvira Vigna.
O livro marca o ínício de uma busca que pretendo empreender na literatura escrita por mulheres - escreverei sobre o tema quando/se a pesquisa alcançar alguma consistência ou maturidade.
Além de apreciar a escrita, que carrega a marca da autora, gostei da história na qual existe um homem que não é o centro do enredo ou dos afetos da narradora. Ela (a narradora) ama aquele homem, mas é com ela que a história acontece.
O modo como a autora brinca com o tempo, dissecando a história e invertendo a ordem cronológica dos acontecimentos, torna a leitura ainda mais saborosa. Tive a impressão de que a Elvira Vigna escreve para provocar - e provoca - sensações naquele que lê.
Ao final do livro me senti quase culpada, por ter me tornado cúmplice da narradora enquanto acompanhava seu relato confuso, desesperado e desesperador. A personagem tenta exprimir o indizível e isso faz com que suas angústias sejam transmitidas como um vírus, que rapidamente salta das entrelinhas e se aloja no leitor.
Às Seis em Ponto deixou em mim o desejo de permanecer contaminada pela literatura daquela que, com justiça, costuma ser mencionada como "a melhor escritora brasileira viva".

Às Seis em Ponto - Elvira Vigna - 128 páginas - Companhia das Letras



O QUE DEU PARA FAZER EM MATÉRIA DE HISTÓRIA DE AMOR

Pouco tempo depois de me apaixonar pelo livro Às Seis em Ponto, recebi alguns dos melhores presentes da vida. Entre os presentes materiais, um exemplar de O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor, com uma dedicatória da autora.
Antes que eu começasse a leitura, Elvira Vigna disse que O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor é um elogio ao fazer narrativo.
O livro conta uma história encantadora, daquelas que despertam o desejo de ter alguém com quem compartilhar a experiência da leitura, para falar sobre o livro, sobre as relações humanas e sobre o amor.
Durante a minha segunda imersão em um universo criado pela autora, encontrei mais uma história para sentir. Gosto especialmente dos livros que, além de me estimularem intelectualmente, são capazes de provocar sensações.
Me vi em muitas das breves alegrias vividas pelos personagens que, apesar do amor - ou por amor - encontram soluções práticas para a convivência saudável, ainda que, eventualmente, dolorosa.
Elvira Vigna criou personagens que não buscam um outro ideal, mas que encontram algum conforto nas relações e histórias que construíram juntos.
Distante do amor romântico, que permeia quase todas as relações humanas contemporâneas (que talvez por isso mantenham-se rasas ou estejam fadadas ao fracasso), Elvira Vigna escreveu o amor real, aquele que busca um sentido verdadeiro; um amor que só acontece quando existe lealdade e respeito ao outro, quando ambos são capazes de manter a integridade.
Encontrei no livro algumas variações do único amor que julgo possível; e que, infelizmente, é cada vez mais raro entre nós.

O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor - Elvira Vigna - 208 páginas - Companhia das Letras


PORTUGAL:
Hoje o livro Nada a Dizer, também escrito por Elvira Vigna, chega às livrarias portuguesas, editado pela Quetzal - que só faz livros lindos.