26 de mar de 2012

Viver não é preciso

Um dos grandes assombramentos da vida é a constante exposição às intempéries. Viver não é preciso. Estar sujeita a tempestades é um prazer assustador.
É certo que os ventos dissipam os males, mas também deixam um rastro de desordem em tudo aquilo - e entre todos aqueles - que, com o passar dos anos e o aflorar da utilidade, tornou-se essencial.
Ao pobre hábito de sobreviver ao sabor das marés, em uma embarcação silenciosa cada vez mais reduzida, denominou-se amadurecimento.
Os outros, portadores do inferno ambulante que, no passado, lançava-se como luz e tormenta, já não são sequer levados em consideração.
Somos poucos e únicos. Reduzimo-nos a efemeridades.
Somos nenhuns.