4 de ago de 2013

Elena e todos nós

Sobre o filme Elena


O filme é lindo. Doloroso e lindo. Poético e lindo. Melancólico e lindo. É uma linda declaração de dor - e de amor.
Lendo os comentários sobre o filme, depois de tê-lo assistido, vi que um rapaz escreveu que todo mundo é um pouco Elena. Discordo da afirmação e sei que glamourizar e banalizar as psicopatologias, além de serem práticas perigosas, não foi a intenção de Petra Costa.
Compreendo que, ao conhecer Elena e o núcleo familiar retratado no filme/documentário, muitos se identifiquem com a dor da perda e com as angústias e situações desesperadoras. Somos todos feitos de ausências, mas nem todos adoecem por isso. Nem todos conhecem a sensação de ser minúsculo e, simultaneamente, alcançar as grandezas de um corpo que carrega sofrimentos sempre maiores. Todo mundo é muita gente. E felizmente nem todo mundo conhece a dor insuportável de estar em si. Nem todo mundo se perde em caminhos sem volta. Nem todo mundo desaparece do mundo de uma maneira absurdamente dolorosa. Nem todo mundo é Elena. Ainda bem.
Eu gostaria de dizer que Elena me atingiu como uma faca no peito, mas isso não aconteceu. Sinto como se, ao ver o filme, tivessem enfiado uma colherinha entre as minhas costelas, uma colher de cabo longo, feita de metal gelado, que dilacerou a pele antes de atravessar a carne, e que desde ontem mexe lentamente todo o lodo que tenho em mim.