27 de ago de 2013

Sonhário

Rio de Janeiro. Calor, muito calor. Nem nos sonhos me liberto dos lugares-comuns ou -  para usar a expressão que o namorado odeia - dos clichês. Eu fugia de uma festa em uma fazenda lindíssima, onde passei alguns dias com o autor-diretor-ator-famoso por quem era (sou?) apaixonada, caminhando morro abaixo, entre casas espremidas em ruas muito estreitas. Sentia o tempo abafado e pedrinhas de asfalto na sola dos pés. Não lembro de como foi a noite de fuga, mas lembro que amanhecia quando fiquei paralisada porque encontrei um imenso urso negro passeando pela rua de onde era possível ver a areia e o mar. Fui socorrida por duas senhoras que, enquanto riam de mim, disseram que o urso vivia ali. Tomamos suco de laranja gelado acompanhadas pelo urso, que deitou ao longo de uma sombra de árvore que se estendia no piso amarelecido. A praia estava deserta e ensolaradíssima. Um dia lindo. Eu usava meu vestido branco de algodão. Acordei com a sensação de ter pisado na areia. Ficou tudo bem. Tudo bem.