13 de set de 2013

A Mulher Independente


Sou de uma família matriarcal, por isso aprendi o feminismo na prática, muito antes de me interessar por conhecer sua história e seus conceitos. A palavra feminismo, relacionada à minha existência, e não como algo distante e abstrato, é muitíssimo recente para mim.
Escolhi A mulher independente, um livro pequeno e de poucas páginas, para conhecer parte dos ensaios da Simone de Beauvoir, de quem eu só havia lido obras de ficção.
O livro foi composto por três excertos dos dois volumes do livro O segundo Sexo, e nele encontramos uma boa amostra das idéias que tornaram a escritora um dos grandes ícones do feminismo.
Inicialmente a leitura pareceu tratar de temas com os quais tenho familiaridade; encontrei no livro um discurso parecidíssimo com o que me acostumei a ouvir desde a infância.


"Foi pelo trabalho que a mulher cobriu em grande parte a distância que a separava do homem; só o trabalho pode assegurar-lhe uma liberdade concreta."


"Para ser um indivíduo completo, igual ao homem, é preciso que a mulher tenha acesso ao mundo masculino assim como o homem tem acesso ao mundo feminino, que tenha acesso ao outro..."


"... a vida em comum de dois seres livres é para cada um deles um enriquecimento..."




O texto da Simone me surpreendeu quando começou a fazer referências às mulheres que escolhem profissões criativas, especialmente às pretensas escritoras. Foi impossível selecionar uma frase para exemplificar minha surpresa; a reprodução de qualquer uma delas, ou de todas elas, configuraria uma confissão.


"... é raro que a mulher assuma plenamente o angustiante diálogo com o mundo dado. As pressões que a cercam e toda a tradição que pesa sobre ela impedem que se sinta responsável pelo universo: eis a razão profunda de sua mediocridade."


Não é agradável encontrar um espelho fiel à parte incômoda da realidade, por isso as palavras sobre as mulheres da arte, embora necessárias e muito bem-vindas, não foram verdades agradáveis de constatar.
Percebi que as mulheres que escolhem ou são escolhidas pela liberdade têm ainda um caminho trabalhoso e muito longo. A sociedade mudou muito pouco desde 1949, quando O Segundo Sexo foi publicado. O feminismo ganhou corpo e visibilidade, mas ainda vivemos sob a vigilância daqueles (e daquelas!) que acreditam que existem padrões aos quais deveríamos nos submeter.



A mulher independente - Simone de Beauvoir - 141 Páginas - Pocket Ouro/Editora Agir